Aqueles que
acompanham o Blog Ronda dos Festivais certamente percebem o hábito contumaz que
temos de elaborar e compartilhar informações, curiosidades e números
resultantes das pesquisas que promovemos no reduto dos festivais de música do
sul do Brasil. Deste universo apaixonante, denominado Movimento Nativista, que completará
55 anos de existência no mês de dezembro de 2026, faz parte a Moenda da Canção
de Santo Antônio da Patrulha, reconhecida como um dos mais representativos
festivais do RS.
Criada em
1987, com o nome de Moenda da Canção Nativa, o evento foi mostrando aos
poucos que o Litoral Norte tinha algo diferente da musicalidade registrada até
então no Rio Grande do Sul. A descoberta de novos sons e
melodias garimpadas e pesquisadas pelos músicos, emoldurando poemas e letras
que resgatam elementos e tradições da cultura afro-açoriana, fez ressurgir a
música e o folclore da região litorânea.
A
partir da 9ª edição, já sem o rótulo de Nativa, a Moenda da
Canção passa a acolher composições de todos os ritmos tornando-se, assim, um festival com espaço para a
liberdade de expressão e para o ecletismo, sem preconceitos, tanto em
letra quanto em melodia. Em 1995, o Brasil abraçou a Moenda.
No tocante a qualidade musical, elogiada por uns e criticada
por outros, é incontestável que a Moenda
registra ao longo de sua trajetória, muitas músicas que ficaram bem conhecidas
pelo público, algumas até conquistaram o selo de “clássicos” do nativismo, tais
como: Dança dos Trigais, de Beto Barros e Sergio Rojas, interpretada por Eraci Rocha e Sérgio Rojas; Milonga Abaixo de Mau Tempo, de Mauro Moraes, interpretada por José Cláudio Machado; O Festival, de Fernando Corona, interpretada por Corona, Neto e Ernesto Fagundes; Lástima, de Mauro Moraes, interpretada por José
Cláudio Machado; Gaúcho Apaixonado,
de Bonitinho e Elton Saldanha, interpretada por Alemão do Bororé; pra citar apenas cinco.
Com
trajetória contínua desde 1987 (só foi interrompida durante a pandemia) a Moenda passou a dar oportunidade para os músicos
instrumentistas apresentarem suas composições, ao criar, em 2011, a Moenda Instrumental.
Em 2022, surgia
a Moendinha da Canção, com o intuito
de oportunizar à cantores e cantoras infantojuvenis, um palco importante para demonstrarem
seus talentos interpretativos.
Agora, em 2026,
de 07 a 09 de agosto, serão realizadas a 39ª Moenda da Canção, a 15ª Moenda Instrumental
e a 5ª Moendinha, mostras competitivas que geram grande expectativa no público
e considerável ansiedade nos artistas participantes. A ordem de apresentação das músicas e dos
intérpretes concorrentes, com suas respetivas fichas técnicas, será publicada na
quinta-feira, 06 de agosto, aqui no Blog.
O prestígio
adquirido pela Moenda não se deve somente ao que é apresentado no palco,
resulta também da atitude de um grupo de pessoas e de um povo que sabe
reconhecer e aceitar com espírito de renovação tudo que vem de fora, que
vem de longe em busca do novo.
Antes de finalizarmos
esta postagem, gostaríamos de perguntar a vocês que nos leem, se saberiam apontar
os protagonista da Moenda, no transcurso destas quase quatro décadas de história?
Para
aplacar eventuais interrogações sobre esse baita festival, elaboramos um singelo demonstrativo
que apelidamos de Estatística da Moenda, cujo resultado publicamos a seguir.
Acompanhem:
Autores conquistaram mais vezes o Troféu de Primeiro Lugar:
2ª: Morada Noturna
8ª: O Sul Por Vida
16ª: Milonga de Outras Bandas
31ª: Pensarolando
Seguindo Mauro Moraes bem de pertinho, aparecem 4
compositores com 3 vitórias na Moenda:
Chico Saratt:
2ª: Morada
Noturna
12ª: O
Medo
26ª: Conflito
Jaime Vaz Brasil
3ª: Milonga
do Pendular Encontro
11ª: Muito
Antes de Pasárgada
28ª: Amorável
Zé Alexandre
19ª: Reticência
25ª: Água
Boa de Beber
28ª: Amorável
Zebeto Correia
27ª: Por
Onde o Rio Passa
29ª: Aprendizagem
30ª: Folha
em Branco
Dois destes autores tem músicas concorrendo na 39ª
Moenda, portanto com chances de chegar a 4 vitórias e dividir a liderança com
Mauro Moraes.
No rol dos Melhores Intérpretes premiados
na Moenda, aparecem 17 cantores e 12 cantoras, cinco deles lideram a pesquisa com 2 troféus cada um:
Daniel Torres: 1ª e 2ª edições
Ivo Fraga: 3ª e 4ª edições
João de Almeida Neto: 5ª e
16ª edições
Kako Xavier: 8ª e 18ª edições
Maria Helena Anversa: 12ª e 13ª edições
No quesito Melhor Instrumentista, 34
músicos conquistaram troféus nas 38 edições da Moenda, dentre os quais: 6
violonistas, 5 tecladistas, 4 gaiteiros, 3 flautistas, 3 bateristas, 3
percussionistas, 2 contrabaixistas, 2 pandeiristas. Com uma única premiação, aparecem
outros 6 músicos que tocaram Viola, Bandoneon, Violoncelo, Saxofone, Violino e
Trompete.
Quem lidera a estatística, com três premiações é:
Fernando Corona: 3ª, 6ª e 10ª
Instrumento: Teclado/Piano
Com duas premiações estão:
Texo Cabral: 1ª, 24ª
Instrumento: Flauta:
Jorginho do Trompete: 7ª e 10ª
Instrumento: Trompete
Luiz Carlos Borges: 8ª e 15ª
Instrumento: Acordeon
A partir da 8ª edição a Moenda passou a premiar o
autor da Melhor Letra e desde então, os letristas que mais se destacaram,
com 4 conquistas cada um são os poetas:
Jaime Vaz Brasil:
8ª: Coração
de Milonga
11ª: Muito
antes de Pasárgada
13ª: O
Amor aos Olhos de Náufrago
31ª: Bestiário
da Sombra
27ª: Décimas da Raiz Pampeana
29ª: Aprendizagem
30ª: Folha em Branco
35ª: A Luz de Uma Canção
Um dos dois podem assumir
a liderança, pois ambos tem música concorrendo na 39ª Moenda.
Com dois troféus cada um,
aparecem:
Vaine Darde: 12ª e 14ª
Vinícius Brum: 9ª e 24ª
A modalidade Melhor Melodia, passou a ser
premiada somente a partir da 29ª edição, no ano de 2015. Nas dez edições realizadas
desde então, dois compositores lideram com 2 premiações cada um:
Zebeto Corrêa: 29ª e 30ª
Outros 6 receberam o troféu
apenas um vez.
Ao longo desses 38 anos de história, uma plêiade de
340 autores experimentaram a alegria de participar da grande final da Moenda.
Deste rol de poetas e musicistas, relacionamos a seguir, aqueles que tem mais
de dez canções entre as finalistas e, consequentemente, registradas em CD, em DVD
e nas plataformas oficiais do festival:
Jaime Vaz
Brasil: 23 músicas finalistas
Ivo
Ladislau: 16
músicas finalistas
Mauro Moraes: 14
músicas finalistas
Vaine Darde: 14 músicas finalistas
Carlos
Catuípe: 12 músicas finalistas
Fernando Corona: 11 músicas
finalistas
Zebeto
Correia: 11 músicas finalistas
Nesta matéria, não podemos omitir o fato de que a
partir da 2011, surgiu a Moenda Instrumental, que chega a sua 15ª
edição em 2026.
Das 14 edições já realizadas podemos destacar os
seguintes parâmetros:
O Autor Com Mais Vitórias é o
compositor:
Cristian Sperandir: 3 conquistas:
1ª: Flamboyã
8ª: Pampiano
9ª: Elo
Próximo de Cristian, vem o gaiteiro patrulhense:
Samuca
do Acordeon: 2 vitórias:
3ª: Cancela Preta
6ª: Sono Leve
Nenhum dos dois instrumentistas
tem música concorrendo na 15ª Moenda Instrumental. A liderança de Cristian Sperandir está garantida por
mais um ano.
Por último, e não menos importante é a nominata
daqueles que integraram as comissões avaliadoras da Moenda, exercendo a honrosa
missão de avaliar as canções concorrentes.
Considerando as 38 edições realizadas até agora e a 39ª que
acontecerá nos próximos dias, constatamos que 167 pessoas foram designadas para
a função de Jurado ou Jurada, 144 do sexo masculino e 23 do sexo
feminino.
Os nomes mais requisitados pela Moenda foram os seguintes:
Quatro vezes:
Colmar Duarte: 3ª, 6ª,
14ª, 25ª
Três vezes:
Arthur
de Faria: 11ª, 15ª, 18ª
Chico
Alves: 2ª, 4ª, 16ª
Robson Barenho: 13ª,
14ª, 36ª
Duas vezes:
Carlos Madruga: 16ª,
28ª
Chico Saratt: 11ª,
15ª
Doly Costa: 1ª, 5ª
Érlon Péricles: 23ª, 35ª
Geraldo Flach: 11ª, 12ª
Gujo Teixeira: 30ª, 38ª
Jorge André Brites: 13ª,
14ª
Juarez Fonseca: 10ª, 20ª
Lenin Nuñes: 6ª, 12ª
Luiz Augusto Fischer: 15ª,
16ª
Mauro Moraes: 1ª, 3ª
Pedro Guerra Pimentel: 14ª,
19ª
Rodrigo Bauer: 24ª, 39ª
Samuca do Acordeon: 25ª, 38ª
Sérgio Rojas: 3ª, 7ª
Zé Alexandre: 29ª, 35ª
Zé Caradipia: 18ª, 32ª
Zebeto Corrêa: 24ª, 37ª.
Será que estes números sofrerão modificações ao final da 39ª Moenda?
Grato pela atenção. Baita abraço.











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