29 de junho de 2018

OR TROPEIROS - O COMEÇO DO NATIVISO


Interessante narrativa sobre os primórdios da música regional gaúcha, disponibilizada pelo compositor e radialista Jaime Ribeiro, cujo teor reproduzimos a partir de agora. 

Voltamos a história de “Os Tropeiros”
(Daniel Fanti)


Uma vez consolidado o conjunto musical, sem nome de batismo, semanalmente se apresentava na Rádio Charrua, com grande sucesso, dentro da programação do Sinuelo do Pago. A partir da inclusão das duas prendas, Rosa Maria e Diná, é que veio a denominação completa e definitiva: Conjunto Vocal e Tradicionalista “Os Tropeiros”.
As cinco vozes se entrosavam: o repertório foi crescendo;
João Batista Machado transmitia a alma campeira com sua cordeona em cada execução; Mozar Dornelles e Adão Knelmo Alves emprestavam o som das guitarras, num profundo sentimento da música da querência, complementados pelas vozes femininas de Rosa Maria e Diná Machado, num arranjo ritmado do som de esporas.
No jornal “A Platéia” de Livramento e com circulação nesta cidade, comentava a professora Cely Lisboa, em sua coluna “Na Passarela dos Pampas”: “O CTG Sinuelo do Pago, sob a orientação do patrão Luiz Stabile e João Rodrigues, num gesto simpático de cordialidade, prestou significativa homenagem, apresentando “Os Tropeiros”, o quinteto formidável que já vem tendo repercussão mesmo fora dos pagos. Entre os números constam “Roda Carreta”, harmonização perfeita pela interpretação desses jovens”. “Os Tropeiros” passam a ser reconhecidos como o primeiro grupo musical de canções nativas de Uruguaiana.
Certo dia, um funcionário da Gravadora Continental, que andou por esses pagos, impressionou-se com a harmonia e segurança do grupo. Gravou numa fita, algumas músicas e viajou para São Paulo para mostrar ao chefe da gravadora, o que ele descobrira em Uruguaiana. Noutra coluna do jornal da cidade, “Disco..Mentando” dizia: “O Conjunto “Os Tropeiros”, que orgulha os uruguaianenses, estava um pouco parado. Motivo: luto e doença.  Agora, é com satisfação que recebi a alegre notícia de que os “Tropeiros” voltam a ensaiar e com grande afinco. Motivo: chegou a proposta de duas gravadoras, são elas: a CONTINENTAL e TODA AMÉRICA.  Por outro lado informo que o diretor do conjunto, o amigo João Machado, estará avionando para Porto Alegre, para acertar o contrato com uma das companhias gravadoras. Desejamos, êxito e grande sucesso”.
Começa o grupo a sonhar mais alto, na eminência e perspectiva de gravar um disco. Nunca antes alguém, nesta cidade, teria gravado um disco, era um pioneirismo sem tamanho, uma pretensão difícil, mas não impossível, precisariam ir a São Paulo.
Começa a mobilização em busca de recursos e de apoio.
Em 1º de janeiro de 1960, Mário Pinto envia ofício ao dr. Adhemar de Barros, prefeito de São Paulo, correligionário de partido político do PSP, que desse o necessário apoio ao conjunto Regionalista “Os Tropeiros”, grupo artístico de sua rádio, que iriam gravar um disco. Em 1º de novembro de 1960, o grupo recebe uma missiva do sr. Mário Duarte, do Departamento de Repertório das “Gravações Elétricas S. A., de São Paulo, dizendo: “De acordo com o combinado com o nosso representante em Porto Alegre, ficou estabelecido de gravarmos um disco de 45 rpm. Para cuja gravação, pedimos nos comunicar as datas em que estão disponíveis”.

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